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Pimentel & Mochi Advogados Associados

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13 de outubro de 2026

Um dia, alguém vai contar a sua história.

Nas últimas semanas, sentei algumas vezes para ouvir meu pai contar a história dos seus 44 anos de magistratura.

A ideia era organizar sua trajetória.

Datas. Comarcas. Cargos. Decisões. Mudanças do Judiciário. Histórias que começaram em 1981, quando Mato Grosso do Sul também dava seus primeiros passos como Estado.

Mas, conforme a conversa avançava, comecei a perceber uma coisa.

Meu pai lembrava dos cargos. Mas lembrava muito mais das pessoas.

Lembrava do escrivão que precisou ser buscado de bicicleta no dia em que chegou a Porto Murtinho. Do militar que ajudou a conseguir uma casa para morar e levar a família. Do Padre. Do prefeito. Do gerente do Banco do Brasil. Dos advogados das pequenas cidades. Dos promotores. Dos oficiais de Justiça. Dos servidores que trabalharam ao lado dele. De uma escrivã que, décadas depois, já aposentada, ainda aparecia para visitá-lo no Tribunal.

Quarenta e quatro anos depois, os cargos continuavam no currículo. Mas eram os nomes que apareciam na conversa.

Isso ficou na minha cabeça.

Talvez a gente passe uma parte enorme da vida preocupado em construir aquilo que pode ser medido. Empresa. Patrimônio. Carreira. Resultado. Posição.

E não há nada de errado nisso.

Eu mesmo acredito profundamente em construir. Construir negócios, patrimônio, segurança e liberdade.

O problema talvez seja imaginar que é só isso que estamos construindo.

Porque, enquanto tomamos decisões para aumentar uma empresa, comprar um imóvel, fechar um negócio, formar uma sociedade ou proteger um patrimônio, existe outra construção acontecendo silenciosamente.

Estamos construindo a história que um dia alguém vai contar sobre nós. E essa história nem sempre será feita das decisões que considerávamos mais importantes.

Talvez ninguém se lembre daquele contrato que tirou nosso sono. Talvez ninguém saiba quanto faturava a empresa naquele determinado ano. Talvez o patrimônio que levou décadas para ser construído seja dividido, vendido ou transformado pelas gerações seguintes.

Mas alguém vai lembrar de como você tomou uma decisão difícil. De como tratou uma pessoa quando não precisava mais dela. De quem ficou ao seu lado quando as coisas deram errado. De quem você ajudou quando poderia simplesmente ter seguido em frente.

E até de como você se comportou quando tinha poder para agir de outra maneira.

É curioso.

Passamos boa parte da vida tentando construir coisas que permaneçam. Mas talvez algumas das coisas que mais permanecem sejam justamente aquelas que nunca apareceram no balanço.

Reputação. Confiança. Relações. Exemplo. Memória. Isso também é patrimônio.

Talvez seja um patrimônio que não possa ser colocado dentro de uma empresa, transferido por escritura ou organizado em um planejamento sucessório. Mas passa de uma geração para outra do mesmo jeito. E talvez com ainda mais força.

Esses dias, enquanto organizávamos a história do meu pai, surgiu uma frase que resumiu muito bem aquilo que eu estava percebendo:

Os cargos contam a carreira. As pessoas contam o legado.

Gostei da frase porque ela serve para muito mais do que uma carreira na magistratura.

Serve para um empresário. Para um fundador. Para quem está construindo patrimônio. Para quem está criando filhos. Para qualquer pessoa que ainda esteja no meio da própria história.

Porque existe uma diferença importante entre patrimônio e legado.

Patrimônio é aquilo que você deixa. Legado é aquilo que continua existindo nas pessoas depois que você passa.

E os dois começam exatamente no mesmo lugar:

nas decisões que tomamos enquanto ainda estamos ocupados demais vivendo para perceber que estamos construindo uma história.

Toda decisão deixa marcas.

Algumas ficam no patrimônio.

Outras ficam nas pessoas.

E talvez sejam justamente essas as que durem mais.

(*) Rodrigo Gonçalves Pimentel é advogado (OAB/SP 421.329 | OAB/DF 68.003 | OAB/MS 16.250), empresário e corretor de imóveis (CRECI/MS 11.939). Sócio do Pimentel & Mochi Advogados e gestor da Todeschini MS e RP Imóveis. Foi Secretário de Governo e Presidente da Fundação de Cultura de Campo Grande.

Siga no Instagram: @rodrigogpimentell

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